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Política em Três Tempos
Dirigente nacional do PSOL fala aos rondonienses sobre a crise nesta quinta-feira
1 – PSOL VÊ CRISE
“O PSOL convoca todos os lutadores e lutadoras de nosso país para lutarem contra os efeitos da crise mundial e cerrarem fileiras na construção de um plano alternativo e construído sob a ótica dos interesses de milhões de trabalhadores e trabalhadoras”. Assim termina a “Resolução Acerca da Crise Mundial” do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). E este deverá ser o sentido da palestra do secretário de Relações Internacionais do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Pedro Fuentes, que acontecerá a partir das 19h30 desta quinta-feira (13), nas dependências da Faculdade Católica de Rondônia (FCR).
Como o evento é aberto ao público, segundo informa o presidente regional do PSOL, professor Adilson Siqueira, com o propósito de familiarizar o leitor que decidir comparecer com o tema de modo a contribuir para o estabelecimento do debate, seguem-se alguns dos principais tópicos do documento. Para o PSOL, “tudo indica que o longo ciclo de descolamento da esfera financeira em relação à economia produtiva real está em xeque. Estima-se um volume de ativos financeiros em circulação nas esferas especulativas de todo o mundo da ordem de US$ 600 trilhões. Este volume de direitos financeiros é dez vezes superior ao PIB mundial, estimado em US$ 60 trilhões.
O Brasil está inserido nesta lógica especulativa. A opção de Lula foi manter o modelo econômico herdado de Fernando Henrique Cardoso. E isso foi feito num momento em que a exuberância da economia internacional a partir de 2002/2003, em combinação com as transformações políticas em curso na América Latina, nos daria plenas condições de uma exitosa transição do falido modelo dos bancos e transnacionais para outro tipo de economia, menos dependente do exterior, e de maior valorização do trabalho e elevação dos mecanismos de poupança interna. Empresas brasileiras exportadoras, na busca de ampliação de seus lucros pela via financeira, em operações estimuladas e orientadas por bancos, especulavam no mercado de câmbio futuro.
2 – EFEITOS DANOSOS
Com a eclosão da crise e a forte desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, o jogo virou e essas empresas começaram a acumular fortíssimas perdas. Estão envolvidas um número grande de empresas e algumas fontes já estimam que o prejuízo alcance o montante de R$ 35 bilhões. As medidas de combate a crise tomadas pelo governo Lula não rompem com a lógica especulativa nem protegem os trabalhadores brasileiros dos efeitos danosos da crise. Pelo contrário, a preocupação governamental é salvar os bancos e as empresas exportadoras, além de manter o fluxo de capitais especulativos para o nosso país.
O Banco Central decidiu liberar parte dos depósitos compulsórios, com o pretexto de destravar as operações de crédito, mas a verdadeira razão dessa medida é apenas dar um alívio aos bancos, frente à inadimplência das empresas exportadoras, com seus contratos de câmbio, algumas delas já levando o problema para a Justiça resolver. E os próprios efeitos dessa injeção de liquidez se mostram pouco efetivos. O crédito continua paralisado e empresas com planos de investimento e operações de financiamento em curso estão sendo informadas pelos bancos da paralisação sine die dos negócios em andamento.
Além disso, o governo editou uma Medida Provisória ─ nº. 442 ─ que amplia substancialmente a autonomia do Banco Central, inclusive na utilização das reservas de divisas do país, com o objetivo de viabilizar linhas de crédito a bancos brasileiros com filiais no exterior e a empresas exportadoras. Ou seja: frente a uma forte especulação contra o Real, quando agentes econômicos correm para o dólar, o Banco Central passa a poder alimentar ainda mais esse jogo, e com a ampla possibilidade de utilização das reservas internacionais. A crise financeira, que abala mercados e coloca graves perspectivas para o emprego, para a produção e para o bem-estar de milhões de pessoas ao redor do mundo, exige que façamos uma revisão completa do projeto econômico em curso no país.
3 – DEFESA DO POVO
Não aceitamos que os bancos públicos sejam utilizados para comprar ativos podres de bancos privados, nem salvar os fundos de pensão de operações duvidosas e especulativas anteriormente realizadas. A luta por um plano econômico a serviço do povo se impõe como uma tarefa central. Assim, junto com nossa sistemática agitação contra a corrupção e em defesa dos direitos dos trabalhadores, faz-se necessário elaborar uma proposta de plano econômico. Algumas questões são fundamentais neste sentido.
A mídia já esta anunciando que os próximos acordos serão piores do que os dos anos anteriores. O Partido não pode aceitar o arrocho salarial. Reajuste salarial de acordo com a inflação e utilização de gatilho salarial para proteger o poder aquisitivo. Defesa de aumento real para incentivar o mercado interno e melhorar a vida do povo. O partido deve apoiar todas as lutas não apenas em defesa dos salários, mas também de resistência contra as flexibilizações e demissões. Já começam a ocorrer demissões com o argumento da crise. Não aceitamos que os trabalhadores não tenham nenhuma proteção real do governo se sejam descartados como responsáveis pela crise que não foi feita pelos trabalhadores.
A defesa dos interesses populares se expressa também nos investimentos públicos direcionados para a saúde e a educação públicas, alem de um plano de obras de moradias populares que gere emprego e garanta a solução do déficit habitacional que chega a 7 milhões de famílias. Com estes recursos se pode garantir gastos públicos com efeito multiplicador na renda e no emprego. Os recursos do governo destinados a grandes construtoras vão contra este plano, apesar de aparentemente corretos na medida em que o governo argumenta sustentar um setor atingido pela crise. Mas estas empresas de construção civil não investem em moradias populares. O que o governo deve fazer é investir diretamente via a CEF e articulado com as prefeituras para investir pesado em habitação para o povo”. Mais da crise, na FCR.
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