
Carlos Macena
Sobre alguns matizes felizes
Há um novo país em gestação. Um novo, novíssimo país. A cada manhã, as forças da Nação se erguem como se funcionassem nbum diapasão afinado em silêncio durante o sono de todos os brasileiros. Sob esta lente quiçá romântica, vislumbra-se não a emoção, mas a razão que preside o alvorecer de uma nova era.
Milhões de pessoas, em milhares de cidades, se veem pela primeira vez em décadas diante da maravilhosa oportunidade de serem felizes, naquilo que a felicidade tem de realização, de conquista, de materialização de sonhos.
Em outras palavras: no fato de não ter privações e sim alegrias diárias, de não alimentar apenas esperanças mas sim todos os filhos, dia após dia, com a dignidade que todo ser humano merece – a dignidade de subir na vida.
Milhões de famílias, de empreendedores, de trabalhadores, de pessoas enfim, sentem-se realizadas ou a caminho de lá chegarem – e, o que é melhor, sem que isso exija delas nada além da dedicação, da força de vontade e do empenho pessoal. E nem que devam um cêntimo disso a ninguém.
Caso fosse dado à vista um rascunho desses novos tempos, provavelmente nele se leria “é isso, não queremos saber dos dramas, perdas, dores e traumas do passado, estamos fazendo dessa massa ainda não-crítica um novo país, de Aquiraz a Canoas, de Bataguassu a Picos, de Porto Velho ao Rio de Janeiro - e cedo não vamos parar”.
Ir deitar todos os dias não é mais um ato tristemente banal, como tantas vezes foi em nossas megalópoles nos anos da desesperança, da perdida década de 80. Ir deitar é esperar a manhã chegar mais cedo.
Temos, sim, uma nova perspectiva de futuro que pertence a todos, porque por todos foi construída, e, por enquanto, a ninguém é dado dela assenhorar-se.
Quase todo mundo não vai se dar mal, quase todo mundo vai conseguir melhorar seu dia a dia. E esse “se dar bem” não significa NECESSARIAMENTE a asquerosa malandragem, barata e rasteira.
Pelo contrário, se fossem malandros os 150 milhões de pessoas que trabalham diuturnamente para que esse verdadeiro novo mundo se imponha, já estaríamos em pleno Paquistão há muito tempo.
Não se fala aqui da violência urbana cotidiana, a qual - parece tão óbvio que espanta não ter a ninguém ocorrido antes -, não se resolve porque na maioria das vezes tem origem privada, pessoal, particular, e acaba desaguando no que é público.
Acabou-se um Brasil. Seus destroços ainda teimam, como as brasas de Nero, por não se extinguir. Acabaram-se as trevas? A pergunta do cínico gargalha entre as cinzas que o alimentam. Não, ainda, filhão, mas a enxada está carpindo, dia após dia, assim como os altos-fornos...
Para manter este novo Brasil acima de maremotos como a ascensão da economia da China e similares, é preciso a consciência de que, apesar do papel individual deste triunfo nascente, a vitória derivará do êxito de todos.
Extingue-se a cada mês, a cada nova fornada de dados do IBGE, Bacen etc. a noção de que esse é por excelência o país da exclusão, do individualismo exacerbado, da vitória a qualquer preço.
O círculo virtuoso a que hoje assistimos alargar-se não aceita mais ficarmos uns de costas para os outros, porque, finalmente, estamos todos caminhando para a frente.
O Brasil que será dado a ser visto próximo século afora nos orgulhará, do fundo de nossos túmulos, porque terá sido construído em novas bases - por isso, é evidente que o PMDB vai acabar, que o DEM e o PT vão acabar e que, tal como Rose Kennedy, Sarney também um dia vai morrer.
Vão surgir o Partido do Churrasco, o Partido dos Míopes, o Partido dos Kartistas, o partido do seja-lá-o-que-for, mas alguém no seio dessa sociedade nova que hoje se forja há de perceber o tamanho da modernidade, do refinamento chegado, enfim intrínseco à civilização brasileira. Sabe por quê? Porque ela terá chegado à sua hora, e não sua hora a ela. E, enfim, após séculos de pústulas e cânceres engravatados, se reorganizará a nobre arte da política.
Quantos homens que amaram de verdade este país - e não vamos chamá-los patriotas pelo cunho pejorativo que estupidamente esta palavra (ainda) tem - ansiaram por isso décadas a fio?
Anchieta, Tiradentes, Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Vianna Moog, Oswaldo Aranha, Ruy Barbosa, Juscelino Kubitschek, Bernardo Sayão, Eliezer Batista, Antônio Ermírio, Oscar Niemeyer e tantos mais que se habilitem.
Nosso país não é mais um simples apêndice do Tio Sam.
“Sabemos, podemos, temos e queremos”: taí um novo dístico para a o Pavilhão Nacional. Abaixo Augusto Comte e seu positivismo bolorento.
“Ordem e Progresso”, só se for para os dançarinos da Madonna, a bufa decadente que ora nos constrange com sua turnê caça-níqueis de fim de carreira.
Vamos barrar a China não só no pingue-pongue, como já fizemos na década de 60, mas também na construção e operação de centrífugas nucleares, porque já sabemos como...
Nem só de bençãos vive o Paraíso, as chagas de Cristo são um aviso perene. Mas, esforcemo-nos por minorá-las. Passemos de Ruanda à Finlândia em 100 meses. Podemos!
Cabe aos que hoje fazem do Brasil orgulho para os brasileiros se regozijarem - o Natal está chegando - mas os decênios que estão por vir vão mostrar ao lorde Lloyd Blankfield, o magnata inglês que disse semana passada no jornal Financial Times que “os bancos exercem um papel social”, o quanto os tempos, definitivamente, mudaram.
Contra Bill Gates, a Vilma e o Giba do vôlei. Entre Warren Buffett ou não, depósitos em massa do FGTS a favor da Embrapa e do CNPq, e, contra nossa auto-esculhambação, nossa auto-exaltação.
Somos nós, “the Brazil people”, ainda que às vezes se auto-esculhambando mas sempre trabalhando duro, que iremos constituir a civilização capaz de ensinar ao planeta como é possível conciliar beleza e método, cálculo e doçura, poesia e isótopos enriquecidos.
Feliz 2010, 2011, 2012, 2013 para todo mundo.
10 perguntas para 01 mais informado responder:
1. Que tipo de reforço as Policlínicas de Saúde da capital receberam no último mês, em termos de médicos e equipamentos, que não conseguiram nos últimos sete anos, para conseguirem atender às pelo menos 1.000 pequenas ocorrências diárias registradas na Grande Porto Velho (nebulizações, exames simples, curativos, quedas, cortes, brigas de casal, bêbados em geral etc.), já que o Hospital João Paulo II, a partir de agora, só atende a baleados hemorrágicos, atropeladados com fraturas expostas, diabéticos e asmáticos em crise e vítimas de derrames e enfartados caindo pelas tabelas?
Perguntas do Macena
2. O grupo JBS/Friboi, o maior exportador de carne do mundo, vai sacar 2,6 bilhões de dólares do BNDES e pretende captar outros R$ 1,8 bilhão pelo lançamento de ações via IPO (International Public Offer) na bolsa de Nova York para se capitalizar até o fim de ano. Enquanto isso, será que vão continuar recebendo gordos incentivos fiscais do Governo do Estado os frigoríficos que o tubarão de Mato Grosso abocanhou em Rondônia nos últimos anos, como a Cooperocarne, em Pimenta Bueno, e a unidade fechada semana passada em Cacoal, pondo na rua mais 106 funcionários?
3. Se o Ji-Paraná está fora do “Rondonião 2010”, não seria o caso de demolir o Biancão?
4. Quem garante que Natan Donadon e Sueli Aragão já não cravaram a afiada faca da traição nas costas de Confúcio Moura e bandearam-se para a cassolagem, já que a vaga de vice-governador e a composição da nominata do PMDB estão sendo negociadas a peso de ouro com o PDT de Acir Gurgacz e o DEM de Moreira Mendes?
5. Quantos mil produtores rurais de Rondônia ficaram sem receber da Emater as sementes de arroz, feijão e milho do Programa Semear nos últimos três anos, já que, ano após ano, diminui o volume adquirido? E por quê as safras não aumentam, se já foram gastos mais de 400 milhões, desde 2006, entre a Seagri, a Sedes e a Emater? Será relaxo dos agricultores ou má-vontade de São Pedro?
6. Por quê Valdeci Tergon, Zuza Carneiro, Berta Zuleika, Marisa Linhares, Joás e outros engambeladores de otários não se juntam para fazer um prêmio só e laurear os trouxas apenas uma vez por ano, poupando-nos a todos de tanta hipocrisia, show de vaidades e ostentação caipiras?
7. Por quê o senador Valdir Raupp não começa sua bela proposta de Desmatamento Zero por sua própria barba, que anda assustando criancinhas em suas passagens pelo interior, como se o mandarim da Zona da Mata fosse uma espécie de Papai Noel do avesso?
8. Quem se habilita a ser o primeiro motorista a derrubar um dos semáforos que a prefeitura de Porto Velho grudou com cola Tenaz a menos de meio metro do asfalto da rotatória da Campos Sales com a BR-364, na capital? Tá mais fácil derrubar aqueles palitos de fósforo mal-enterrados do que descobrir quem mandou matar o Dr. José Odemar Góis, o ex-juiz fuzilado em sua caminhonete no meio da rua há mais de cinco anos...
9. Aliás, além do Dr. Góis, a Polícia Civil já descobriu quem matou o auditor-fiscal Armando Dalamarte, em Ji-Paraná? E o vereador Edson Gasparotto, presidente da Câmara de Ouro Preto do Oeste? E o advogado Valter Nunes de Almeida, que era da cozinha da fazenda do governador em Alta Floresta, também em Cacoal? E o fazendeiro Manoel de Barros, na capital, aquele que disputava com Ricardo Stoppe e outro grande empresário uma fabulosa fazenda na Gleba Ituxi, no sudoeste do Amazonas? E o jovem assessor do prefeito Bianco? Claro que as investigações devem correr em sigilo, mas essa demora está parecendo é o funeral das próprias investigações, não?...
10. Pra terminar, o que Rondônia ganhou com a troca de Valdivino Tucura por Silvernari Santos? Sai um bronco dos quatro-costados e entra um refinado “operador turístico”? Ou conseguiu-se, enfim, espaço suficiente na Mesa Diretora para acomodar os egos de Miguel Sena, Euclides Maciel e Neodi de Oliveira?
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