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    Ética: palavra pequena e forte, mas quase esquecida!

    O papel das instituições privadas na educação superior no Brasil

    Pós-Graduação: Diferencial Competitivo se for Respeitada a Lei

     

     

     


    *José Luiz Andrade Duizith

    Junho 13, 2007 18h12

    Coluna anterior = colula posterior

    Instituições de Ensino Superior buscam diferenciais competitivos e algumas os "inventam"

     

    .......O número de vagas no Ensino Superior aumentou violentamente, a explosão vivida nestes últimos anos pelo setor privado causou uma série de problemas para as próprias instituições. Um dos mais significativos se dá pela enorme concorrência que tomou conta do mercado.
    Neste cenário de competição desenfreada, as instituições passaram a buscar elementos diferenciais para superar seus concorrentes. Sendo assim, podemos dividir em dois tipos de disputa no Ensino Superior privado. Enquanto uma parte briga por alunos com base em qualidade, outras optaram preço “barato” e por informações “inventadas”. Não é difícil imaginar que essas compõem a grande maioria.
    Diversos fatores competem neste cenário de concorrência, principalmente a falta e ética nas informações prestadas ao público em geral, que seriam as informações “inventadas”. Algumas IES (Instituições de Ensino Superior) falam o que querem e quando querem, buscando a todo o custo o seu “cliente” aluno, ignorando apresentar qualidade e referência acadêmica em seus cursos, e para suprir os itens primordiais de uma IES, apresentam informações do tipo: “Somos a maior IES do Estado”, “Melhores professores do País”, e por aí vai. Estas informações são baseadas em que? Como se “mede” professores, IES, qualidade, etc? Se não for por um órgão ligado ao MEC (Ministério de Educação), vira “invenção”, ou melhor, denúncia ao PROCON!
    Estas invenções que buscam enganar o cidadão, este que não conhece e não tem obrigação em conhecer a legislação educacional, e diversas siglas como MEC, INEP, SESU, ENADE, SINAES, e mais um monte delas, visa unicamente buscar este “cliente” a todo o custo, mesmo da forma errada, “inventando” informações para competir neste cenário competitivo das IES privadas. Vamos à alguns exemplos:

    1. Propaganda apresentando alto índice de aprovação de bacharéis em direito no exame da Ordem (OAB). Vamos avaliar alguns itens “escondidos” ou “inventados”. O exame da ordem apresenta um índice de aprovação nacional de 25% à 30%. Se alguém apresentar mais que isso, ou melhor, apresentar mais de 90% de aprovação, deveria ser notícia nacional se fosse verdade. Claro que não foi informado ao cidadão que o exame da ordem é dividido em duas fases, a primeira teórica, onde a maioria passa, e a segunda a parte prática, onde realmente se reduz o número de aprovados. Aposto com quem quiser que não deve ter passado de 30% de aprovação esta IES que apresentou esta propaganda de acima de 90% de aprovação;
    1. Nomenclatura: A legislação divide as IES em 3 níveis (Universidade, Centro Universitário e Instituição de Ensino Superior ou Faculdade isolada), e em cada nível existe um padrão de qualidade e autonomia, exatamente na ordem apresentada. O que fazem algumas IES? Colocam em seu nome fantasia a sigla UNI, que em vez de significar Universidade, significa algo do tipo União ou coisa parecida. O “cliente” normalmente acredita que está em uma Universidade. Um exemplo claro está em Rondônia, onde apenas a UNIR é Universidade;
    1. O contrato firmado: O investimento realizado deve estar de acordo com o esperado. Essa é uma relação padrão em qualquer negociação ou compra de um bem. Se o cliente está investindo em educação, a obrigação da contratada é prestar o melhor, desde o cumprimento de horário, professor em sala de aula, biblioteca e laboratórios equipados, etc, e normalmente isso não se apresenta, pois o cliente também se divide em dois tipos, os que optam em ignorar estes fatos na busca exclusivamente de um diploma (acreditou em tudo anteriormente apresentado e deixou-se ser enganado) e os que buscam algo além do diploma, realmente estarem aptos a competição do mercado a nível nacional ou internacional.

    Bom, acho que não preciso enumerar outros exemplos. Portanto, ter bons professores e boas instalações não são mais diferenciais para o mercado, mas sim obrigações. "Se a IES não tem boas instalações e bons professores, tem uma desvantagem competitiva séria. Mas se ela os têm, não leva vantagem", afirma Ryon Braga. Sendo assim, antes de ingressar em uma Instituição de Ensino Superior, busquem conhecer esta IES, conhecendo a história da mesma, seus professores, suas instalações (biblioteca e laboratórios), conheçam os princípios e valores que as norteiam, descubram a sua contribuição junto ao mercado de trabalho e sociedade, etc. Faça a melhor escolha!


    José Luiz Andrade Duizith é o Diretor-Geral do Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná (CEULJ/Ulbra)
    jose.duizith@intext.com.br

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