Abril de 2007 | Humor | Cristian Menezes | Márcio Acciolly
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  • *José Luiz Andrade Duizith

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    Ética: palavra pequena e forte, mas quase esquecida!


    Viagens a trabalho, aeroportos e hotéis, alguns acham que é uma vida boa, mas na verdade é estressante. Mas se, aproveitarmos bem esses momentos, podemos colocar nossas leituras em dia. E foi isso que fiz na última semana, onde pude ter a oportunidade de ler dois livros muito bons, sendo um deles “Transformando Suor em Ouro”, do técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho, e o outro “As Parábolas na Empresa”, organizado por Alexandre Rangel.
    Destaco no livro de Bernardinho uma passagem na primeira olimpíada da época moderna, em 1896, em Atenas, onde existia uma grande disputa entre as escolas italiana e francesa de esgrima. Eis que no combate pela medalha de ouro, surgiu uma dúvida sobre um golpe. Como não existiam equipamentos de alta tecnologia, com sensores na ponta dos floretes, os juízes se reuniram para tomar uma decisão. A conclusão foi que o toque, que representava um ponto na esgrima, não havia acontecido. Ao reiniciarem o combate, um dos lutadores, no entanto, retirou sua máscara protetora e admitiu que havia sido tocado. Perdia ali sua medalha de ouro, mas mantinha uma atitude ética.
    Posso unir a postura do atleta citada à cima com uma parábola do livro de Rangel, “Devolver o peixe à água”, onde a mesma relata a história de uma pescaria de pai e filho, onde os mesmos todos os anos no mesmo lago pescando juntos. O filho, com apenas 11 anos, iniciou a pescaria com seu pai à noitinha, noite que antecedia a temporada de pesca. Quando o caniço vergou, a criança inicia uma longa briga com o peixe, e após algum tempo, erguia o maior exemplar que alguém já tinha pescado naquele lago. O pai e o filho estavam orgulhosos do feito, mas ao mesmo tempo, o pai olhou para o relógio e viu que eram apenas dez horas da noite, e ainda faltavam duas horas para a abertura da temporada de pesca. Olhou para o filho e disse: você tem que devolvê-lo meu filho! O garoto olhou a volta do lago, viu que não tinha ninguém por perto olhando, mas sabia que o pedido do pai não seria discutido e o devolveu para a água. Isso aconteceu a mais de 34 anos, e hoje já adulto, continua a levar seus filhos para pescar no mesmo lago que ia com seu pai, e nunca mais conseguiu pescar peixe tão maravilhoso. Porém ele sempre vê o peixe quando se depara com questões éticas. Podemos tirar como mensagem desta parábola o seguinte: é fácil ser ético quando todos estão olhando, o difícil e ser sempre, mesmo quando não há ninguém por perto.
    Sendo assim caros amigos, precisamos sempre ver o peixe quando nos deparamos com questões éticas. Se cada um fizer a sua parte, esta pequena palavra “ética”, se fortalecerá de tal maneira que poderemos mudar o mundo.


    José Luiz Andrade Duizith é o Diretor-Geral do Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná (CEULJ/Ulbra)
    jose.duizith@intext.com.br

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