*José Luiz Andrade Duizith
Coluna anterior = colula posterior
Ética: palavra pequena e forte, mas quase esquecida!
Viagens a trabalho, aeroportos e hotéis, alguns acham que é uma vida boa,
mas na verdade é estressante. Mas se, aproveitarmos bem esses momentos, podemos
colocar nossas leituras em dia. E foi isso que fiz na última semana, onde
pude ter a oportunidade de ler dois livros muito bons, sendo um deles “Transformando
Suor em Ouro”, do técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho, e
o outro “As Parábolas na Empresa”, organizado por Alexandre Rangel.
Destaco no livro de Bernardinho uma passagem na primeira olimpíada da época
moderna, em 1896, em Atenas, onde existia uma grande disputa entre as escolas
italiana e francesa de esgrima. Eis que no combate pela medalha de ouro,
surgiu uma dúvida sobre um golpe. Como não existiam equipamentos de alta
tecnologia, com sensores na ponta dos floretes, os juízes se reuniram para
tomar uma decisão. A conclusão foi que o toque, que representava um ponto
na esgrima, não havia acontecido. Ao reiniciarem o combate, um dos lutadores,
no entanto, retirou sua máscara protetora e admitiu que havia sido tocado.
Perdia ali sua medalha de ouro, mas mantinha uma atitude ética.
Posso unir a postura do atleta citada à cima com uma parábola do livro de
Rangel, “Devolver o peixe à água”, onde a mesma relata a história de uma
pescaria de pai e filho, onde os mesmos todos os anos no mesmo lago pescando
juntos. O filho, com apenas 11 anos, iniciou a pescaria com seu pai à noitinha,
noite que antecedia a temporada de pesca. Quando o caniço vergou, a criança
inicia uma longa briga com o peixe, e após algum tempo, erguia o maior exemplar
que alguém já tinha pescado naquele lago. O pai e o filho estavam orgulhosos
do feito, mas ao mesmo tempo, o pai olhou para o relógio e viu que eram apenas
dez horas da noite, e ainda faltavam duas horas para a abertura da temporada
de pesca. Olhou para o filho e disse: você tem que devolvê-lo meu filho!
O garoto olhou a volta do lago, viu que não tinha ninguém por perto olhando,
mas sabia que o pedido do pai não seria discutido e o devolveu para a água.
Isso aconteceu a mais de 34 anos, e hoje já adulto, continua a levar seus
filhos para pescar no mesmo lago
que ia com seu pai, e nunca mais conseguiu pescar peixe tão maravilhoso.
Porém ele sempre vê o peixe quando se depara com questões éticas. Podemos
tirar como mensagem desta parábola o seguinte: é fácil ser ético quando todos
estão olhando, o difícil e ser sempre, mesmo quando não há ninguém por perto.
Sendo assim caros amigos, precisamos sempre ver o peixe quando nos deparamos
com questões éticas. Se cada um fizer a sua parte, esta pequena palavra “ética”,
se fortalecerá de tal maneira que poderemos mudar o mundo.
José Luiz Andrade Duizith é o Diretor-Geral do Centro
Universitário Luterano de Ji-Paraná (CEULJ/Ulbra) jose.duizith@intext.com.br