*José Luiz Andrade Duizith
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O papel das instituições privadas na educação superior no Brasil
Discute-se muito o ensino no Brasil, principalmente a educação básica. Segundo
o Senador Cristóvão Buarque, apenas 33% dos alunos terminam o ensino médio
e desses, apenas 18% entram no ensino superior. Em sua fala em uma palestra
que compareci, e devo concordar com o mesmo, “somente uma boa educação de
base pode revolucionar a educação, e isso terá reflexo imediato no crescimento
do ensino superior”. Será este o caminho? Bom, é só observarmos dados estatísticos
apresentados pela (UNESCO, 2005), onde (32%) de nossas crianças repetem a
primeira série do ensino fundamental. Isso significa que de cara, muitos
desistem, se desestimulam com o ensino, com a escola. Isso é muito? Claro,
pois segundo esta mesma pesquisa, mostra que na Europa e Estados Unidos esta
reprovação chega-se perto de (0%), na Índia (4%), no México (9%) e na Argentina
(10%).
Porque iniciamos falando da educação básica se o assunto foca-se no Ensino
Superior? Simples, pois a mesma é a formadora de alunos para a educação superior.
Mas precisamos primeiramente quebrar alguns paradigmas antes de darmos início,
pois em uma primeira leitura, falando-se em número de alunos e IES Privadas,
a primeira análise seria, caso o leitor não conheça bem a área da educação
superior, a seguinte: “as IES privadas só pensam em “dinheiro”, “só querem
sugar”, “não se preocupam com o ensino”, etc. Infelizmente esta é a leitura
que muitos fazem, mas como falei, tentarei quebrar alguns desses paradigmas.
É interessante sabermos de um dado estatístico, apresentado pelo Sr. Gustavo
Ioschpe, onde demonstra que 73% das matrículas do ensino superior brasileiro,
encontram-se nas IES Privadas. Isso mesmo, apenas 27% estão nas IES Públicas.
Tem mais, se não existissem as IES Privadas, teríamos hoje apenas 5,4% de
matrículas no ensino superior. Assustador, certo? Mas esta expansão das IES
provadas deve-se ao espaço deixado pelas IES públicas. Um exemplo pode ser
visto em nosso estado, onde segundo fonte do INEP, das 28 IES do estado de
Rondônia, apenas duas são públicas, sendo ainda que uma delas é uma escola
técnica, não de ensino superior.
Outro fator importante apresentado, seria a análise no mercado da inserção
dos profissionais oriundos das IES públicas e privadas. A conclusão: não
há diferenças em termos salariais. Analisando este dado, demonstra-se que
não há diferença em formação da melhor ou pior, e sim igual.
Claro que as IES privadas cobram pelo serviço prestado, mas ao mesmo tempo
oferecem professores qualificados, salas climatizadas, ambiente limpo, biblioteca
completa, laboratórios modernos, funcionários para atendimento, etc, nada
mais normal na relação de fornecedor x consumidor. E esse serviço é cobrado,
e como vimos anteriormente, 73% dos consumidores optaram em estar nas IES
Privadas.
Digo mais, o verdadeiro papel social no ensino superior quem faz, são as
IES privadas, pois as mesmas tentam completar e aumentar sempre suas vagas,
aumentando sempre sua infra-estrutura física e profissional, para melhor
atender seus alunos. As mesmas possuem e desenvolvem vários projetos sociais,
inserindo o acadêmico e a comunidade. Descontos (bolsas) próprios são oferecidos
no apoio ao aluno, bolsas trabalho, bolsas pesquisa, PROUNI é recebido e
atendido pelas IES privadas, tudo para poder inserir o aluno que não pode
estar em uma IES pública, e ainda, o que precisa ou já está no mercado de
trabalho, pode conciliar seus horários de estudo com o profissional, principalmente
ofertando seus cursos no horário noturno, horário não atendido pela IES públicas.
As IES privadas fazem de tudo para que os alunos possam realizar seus sonhos.
José Luiz Andrade Duizith é o Diretor-Geral do Centro Universitário
Luterano de Ji-Paraná (CEULJ/Ulbra)