Beto Neves
Anterior - Coluna posterior
May18, 2007 14h31
Estão sugando nosso dinheiro
Pelo amor de Deus alguém precisa fazer alguma coisa pra impedir o absurdo que vem sendo praticado em Rondônia em relação às tarifas de energia elétrica. Até o MPA Movimento dos Pequenos Agricultores deixou sua toca pra brigar pela nossa energia urbana e a gente? Bem a gente continua do mesmo jeito, acomodado, resignado, de braços cruzados como se a solução fosse cair do céu. Quer dizer: a solução não, o dinheiro, porque haja dinheiro pra quitar as contas absurdas.
Em jaru, uma casa simples - três quartos, sala, cozinha e banheiro - chega a pagar mais de um salário mínimo de energia elétrica. Isto mantendo o trivial para o conforto. Existem outras como é o caso de uma residência na Rua Rio Branco, também de três quartos, em que este absurdo chega a R$ 800 reais. Por coincidência a proprietária da casa se chama Socorro – já viu o apelo né! Os proprietários estão a ponto de ter um colapso.
Mas vamos falar dos menores, aqueles que moram de forma até desumana e nunca pagam valores inferiores a R$50 reais de energia usando apenas uma TV e bicos de lâmpadas, o que implica mais de 15% de seu ganho. Se deduzirmos do salário o montante do INSS este patamar chega aos 17%. Como fica então a comida, o vestuário, o remédio, o lazer? Este último então... Vixi nem se conta, foi banido há anos da vida dos mais fracos. Não há como discutir. Se paga primeiro, ou se tem o fornecimento de energia suprido. Pelo menos pra nós, pobres mortais.
Só com o poder público é diferente. Isso mesmo. As prefeituras, inclusive a de Jaru, acumulam dívidas imensas de anos a fio para com a Ceron sem ser importunadas. Às vezes corta-se hoje, e com um telefonema se religa na hora. A maioria não tem esta sorte. Vi esta semana na televisão um caso de uma senhora que sobrevivia em casa sobre aparelhos no estado do Ceará e morreu porque a empresa de energia cortou o fornecimento por atraso de pagamento. Isto é só pra ver em que país estamos vivendo.
Absurdos também acontecem aqui. Se chegarem a sua casa e não estiver ninguém a energia é cortada, depois você é que se explique se tiver em mãos uma conta paga.
Com base nos números da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 1995 a 2002 o país arrecadou 90 bilhões em energia elétrica. Dados do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) apontam aumento de 180% em relação aos anos anteriores, enquanto a inflação chegou aos 58%. Portanto o preço da energia, já vem aumentando – como se poderia ironizar – na velocidade da luz.
Bem, somos leigos no entendimento do funcionamento das regras para cobrança, taxas, etc., no entanto a lógica não pode estar tão distante da ótica daqueles que sabem o que têm dentro de casa e vêem uma conta astronômica chegando todo mês.
Como se não bastassem às taxas recordes aplicadas no Estado, há desconfiança de que a Ceron esteja aumentando os kilowats de energia consumidos pela população para compensar os gatos cometidos por alguns.
Em Jaru, quando se tem dúvida sobre uma conta, a empresa retira o relógio pra ser inspecionado em Ji-Paraná, por ela mesma. Ora, se não se acredita naquele valor, como se poderia acreditar que indo pra mesma empresa a conta será reduzida e o erro descoberto. Pior que isso, dizem que não existe Inmetro no Estado. Ou não sabem mesmo da existência ou querem impedir que o relógio chegue até ele
A Ceron responde a processo de Inspeção pelo Ministro relator Raimundo Carneiro. Uma auditoria levanta possíveis irregularidades cometidas na ordem de R$ 263 milhões de recolhimento e faturamento de ICMS em 2005. Ao todo são 26 processos que culminam neste montante, através da fiscalização 1006/2005. Pode-se acreditar então em tanta seriedade?
Que me desculpem os responsáveis pela energia do Estado e especialmente a de Jaru, mas a população está de orelha em pé. Os valores das contas são questionáveis e pelo número de reclamações que recebem devem ter ciência disto. Não sei se é fruto da taxa diferenciada dos outros estados, ou maculação nos relógios, quem sou eu pra julgar, mas que tem algo errado, Ah isto tem.
Beto Neves é redator de A Notícia
l.
betonev@gmail.com

