
Política direto de Brasília
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Por que a energia elétrica de Roraima é cara?
Ele finalizou informando que tem empreendido gestões junto ao governo federal, “buscando integrar Roraima ao resto do país, para que as tarifas de energia elétrica sejam reduzidas, pois foi essa a proposta inicial do linhão de Guri”.
Quando a chamada CPI da Energia Elétrica esteve em Boa Vista (RR), reunindo-se no plenário da Câmara de Vereadores para investigar a formação dos valores da tarifa cobrada naquele estado, o deputado federal Neudo Campos (PP-RR), acompanhou os trabalhos como um dos maiores interessados.
Ele conseguira, no curso do primeiro de dois mandatos como governador (1995-2002), convencer o então presidente da Venezuela, Rafael Caldera (1994-99), a construir linha de transmissão que levasse energia do Complexo Hidrelétrico de Guri, naquele país, até a cidade de Santa Elena de Uáiren, fronteira com o município brasileiro de Pacaraima.
A idéia, segundo o próprio Neudo, “era retirar Boa Vista do rodízio de apagão que atormentava todos os seus habitantes”, o que transformava a vida num inferno. E, também, baratear custos, já que a energia elétrica venezuelana é importada por algo como 33 dólares (ou 60 reais no atual câmbio), o megawatt/hora (Mwh), enquanto que o mesmo megawatt na geração térmica atinge a soma de cem dólares.
Depois de muitas idas e vindas a Brasília, com o fito de garantir recursos financeiros para montar a linha de transmissão de Santa Elena até Boa Vista (alcançando os municípios do estado), o então presidente FHC assinou, no dia 29/01/97, acordo para o fornecimento de energia elétrica da Venezuela para abastecer Roraima.
Acontece que a conta mensal da energia de Guri, que deveria vir doce como prazeroso bombom, terminou por ficar salgada para o consumidor, fazendo com que este pulasse da brasa e caísse num fogaréu. Aqueles 60 reais pagos pelo megawatt/hora são entregues ao roraimense por 454 reais! E por que a tarifa ficou insuportável?
Neudo diz que os principais motivos são dois: “primeiro, o consumidor roraimense foi obrigado a assumir, sozinho, os custos de operação e manutenção da linha de transmissão do trecho venezuelano, quando essa conta deveria ser diluída entre todos os consumidores brasileiros”.
Ele cita propaganda oficial do governo federal, publicada à época no extinto jornal BrasilNorte, na qual se afirmava que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que deixaria de subsidiar a geração de energia pelo sistema termelétrico, “seria suficiente para quitar todo o investimento feito na linha de transmissão de Guri”.
A CCC foi instituída em 1973 e tem como objetivo fazer um rateio entre todos os concessionários “de distribuição dos ônus decorrentes da geração térmica de energia, buscando evitar que a produção de energia nas referidas geradoras termelétricas”, por ser muito cara, “onere em demasia as tarifas estabelecidas para o consumidor”.
Como o sistema elétrico nacional é interligado, mas não o que abastece Roraima com a linha vinda de Guri, o estado ficou isolado e a tarifa da energia ali consumida foi para a estratosfera. O roraimense ficou pagando todos os investimentos sozinhos.
O segundo motivo é a estrutura burocrática pesada que se montou para a distribuição e comercialização da energia elétrica. Antes, com as termelétricas, segundo Neudo Campos, “a Eletronorte fazia tudo sozinha: gerava, distribuía e comercializava a energia elétrica”.
Hoje, “existem também a CER e a Bovesa, contabilizando-se três diretorias e assessorias dessas três empresas, numa organização que onera o consumidor que tem de pagar salários de verdadeiras multidões”.
Márcio Accioly