15 de março de 2007 | Duizith | Cristian Menezes | Márcio Acciolly
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  • AOS TRANCOS E BARRANCOS
    Márcio Accioly - Coluna anterior - Coluna posterior
    (quinta-feira, 15/03/07)

    O senador Alfredo Nascimento (PR-AM) está fugindo da imprensa como o diabo foge da cruz! O presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP) ficou muito inquieto com o fato de o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) ter aproveitado o embalo das denúncias contra o PR (ex-PL) e afirmado que “o mensalão ainda está em operação”.
    A crise não se aprofundou, como seria de se esperar, devido à disputa em torno da instalação da CPI do Apagão Aéreo, cuja decisão foi adiada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em decisão do ministro Celso de Mello na noite de quarta-feira (14).
    O atual imbróglio teve início com entrevista do deputado federal Márcio Junqueira (PFL-RR), ao jornalista Expedito Filho (Estado de S. Paulo), revelando a oferta de cargos e vantagens no DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura dos Transportes) “para que trocasse de partido”.
    Um dia depois, o “assessor e sobrinho do deputado Aracely de Paula (PR-MG), Emílio de Paula Castilho, foi detido pela Polícia Rodoviária Federal, próximo a Brasília, com cerca de 80 mil reais em espécie”.
    Na terça-feira (13), o líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR) concedeu entrevista à Folha de S. Paulo em que defendeu a “fidelidade partidária relativa” e disse que “não gosta de cargos”, mas quer o Ministério dos Transportes “verticalizado”, o que significa “com todos os postos” e penduricalhos.
    O Ministério estaria prometido novamente ao senador Nascimento que já esteve no comando daquela pasta de 15/03/2004 a 31/03/2003. No dia seguinte à entrevista do líder à Folha, o jornal publicou editorial em que classificou como “curiosa” a teoria da “fidelidade relativa” com a qual Luciano Castro justificou o “inchaço da sigla”.
    No editorial foi dito que a partilha no governo federal “já se debruça sobre diretorias e subdiretorias da Petrobras, dos Correios, de Furnas, prebendas em portos, aeroportos e entrepostos”, numa repetição do escândalo que desaguou em CPI recente.
    Mas o que preocupa mesmo é Roberto Jefferson. Apesar de o líder do PR “não gostar de cargos” e tudo caminhar como se diz, dentro dos conformes, eis que sua legenda elegeu 25 deputados (23 do PL e dois do Prona, de cuja fusão resultou o PR), mas contabilizou na última semana a marca expressiva de 39 deputados.
    O inchaço chamou a atenção de Jefferson. Ele voltou a apontar o ex-presidente do PL deputado Valdemar Costa Neto (que renunciou na última legislatura para não ser cassado), como “figura de proa” de malfeitos que estariam sendo ali levados a cabo.
    Se o episódio continuar a repercutir, o possível retorno do senador amazonense ao Ministério estaria ameaçado. Depende agora dos desdobramentos. O presidente nacional do PR, Sérgio Tamer, encaminhou ao corregedor-geral da Câmara um pedido de investigação contra o deputado Márcio Junqueira.
    O PFL nacional já avisou que não irá deixar por menos e que não enxerga motivos para investigar parlamentar de suas fileiras que tem mostrado disposição para o trabalho e se destacado neste seu primeiro mandato.
    A atividade política no Congresso Nacional está guardando preocupante semelhança com a onda de criminalidade no Rio de Janeiro: todos os dias aparecem novidades desastrosas e ninguém parece ter resposta que satisfaça o respeitável público.
    Em lugar de se apurarem denúncias, o denunciante passa a sofrer ameaças. As últimas CPIs foram decepcionantes, na quantidade de acusações comprovadas e na absolvição de figuras que se transformaram em escárnio público. Dessa forma, não há como exigir um respeito que não se impõe. É desmoralização generalizada.
    E-mail: accioly@tba.com.br

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