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Política em Três Tempos

 

        

Políticos do PV-RO fogem da candidatura de Marina pela legenda como o diabo da cruz

 

1 – ALARME VERDE

O companheiro presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra Dilma Roussef, Chefe da Casa Civil dele, não são os únicos a esquentar a cabeça por conta da iminente filiação da senadora Marina Silva (PT-AC) ao PV e o esperado anúncio da sua pré-candidatura à Presidência pela nova legenda. E olhe que não se está falando aqui dos inumeráveis petistas encastelados no aparelho do Estado e, por extensão, dos demais apaniguados originários dos partidos aliados igualmente contemplados com cargos da máquina pública em função do conluio. Por ululante, desnecessário falar da preocupação destes com qualquer coisa que represente uma ameaça à atual configuração do poder – como se diz ser o caso da eventual candidatura Marina Silva.

Por surpreendente que possa parecer, tanto mais angustiados do que o presidente Lula e a ministra Dilma com a possibilidade de uma candidatura Marina Silva pelo PV estão os próceres do próprio PV. Raios! Exclamará o leitor impaciente, para indagar em seguida. “Mas não foi o próprio PV que convidou a ex-ministra do Meio Ambiente a filiar-se na legenda acenando-lhe com a candidatura da agremiação para disputar a Presidência?” De fato. Não obstante coberto de razão, pede-se calma ao leitor. Eis que a aflição de que se fala, ao menos até onde a vista alcança, é exclusiva do PV rondoniense.

Isso mesmo, considerado. A eventualidade de uma candidatura de Marina Silva à Presidência está deixando os políticos do pedaço filiados ao PV de cabelos em pé. Principalmente no que diz respeito aos detentores de mandatos que vão tentar renova-los na eleição do ano que vem. Caso dos deputados Lindomar Garçon (federal) e Miguel Sena (estadual). Bem verdade que, não obstante pertencerem ao mesmo partido, pouco ou quase nada se tem ouvido falar de algo que os tenha aproximado numa ação pública conjunta. Mas se alguma coisa é capaz de emparelhá-los numa mesma manifestação, esta diz respeito à opinião de ambos segundo a qual a candidatura de Marina é um pé no saco.

2 – CRITÉRIOS ECONÔMICOS

Não leu errado, leitor. Na opinião de Garçom e Sena - mas não apenas deles, porquanto a quase totalidade do PV rondoniense também pensa assim - um eventual palanque de Marina em solo caripuna não servirá para outra coisa senão para tirar votos de quem já os tem e é filiado ao PV. E enquanto no resto do país a cogitada candidatura está sendo saudada como um sopro de vitalidade na política nacional, por aqui essa possibilidade está sendo encarada como uma calamidade pelos próprios verdes. Como entender isso? Convém ressalvar que a pergunta vale – faz algum sentido - para o leitor urbano alinhado à média do pensamento nacional no que diz respeito ao politicamente correto. Mas tomando alguma distância, não é preciso torrar os miolos para explicar essa aparente contradição.

Como um dia já o disse James Carville, o marqueteiro da campanha de Clinton em 1992, “é a economia, estúpido!” Em outras palavras: está-se numa terra de gente dos mais diversificados matizes econômicos, mas com destaque para lá de acentuado para pecuaristas e madeireiros. Para se ter uma idéia, saiba-se que, grosso modo, apenas essas duas atividades respondem por mais de 60% da economia do Estado. Por mais que certo esgotamento do modelo extrativista vegetal esteja favorecendo o avanço das indústrias de alimentos, o setor madeireiro ainda representa mais de 30% do PIB rondoniense (23% madeira bruta e 8% produção moveleira). E um rebanho de 12 milhões de cabeças produzindo mais de 500 mil toneladas de carne por ano lambe os 40% do mesmo índice.

Considerando que o resto da economia da maloca gira basicamente em torno do agronegócio (produção de grãos), não fica assim tão difícil estimar o nível da tensão entre os setores do Planalto encarregados da política ambiental e a permanente pressão por expansão da fronteira agrícola numa região onde a lei limita em 20% a destinação da terra para tais atividades. Não por acaso quando Cassol chamou Marina de “despreparada” seu índice de popularidade disparou.

3 – EFEITOS DELETÉRIOS

Na época, a então ministra acusou Rondônia de ser um dos Estados que mais derrubam a floresta com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) - que terminaram revelando-se discrepantes. Cassol não perdoou. "Ela é despreparada para ocupar o cargo que ocupa", disse, justificando que Marina não "teve a humildade" de ligar para ele e "pedir desculpas ao povo brasileiro e de Rondônia" pela divulgação dos dados, que seriam "mentirosos". A trombada aconteceu em fevereiro de 2008 e foi mais uma gota no pote até aqui de mágoas da petista, que transbordou nos idos de maio. Desnecessário dizer sobre o quanto o Palácio Presidente Vargas comemorou.

O certo é que, por essas e por outras, a possibilidade de uma candidatura Marina à Presidência pelo PV tem deixado os verdes locais em polvorosa. Mas como a eleição de 2010 será a primeira dos tempos recentes em que os partidos estarão desobrigados da verticalização, Lindomar Garçon diz estar mais ou menos tranqüilo. Haja o que houver, promete que estará no comboio comandado por Cassol no processo eleitoral do ano que vem. Que, pelo andar da carruagem, leva jeito de ser um dos que servirá à eventual candidatura Dilma Roussef.

Em todo caso, em que pese não estar muito seguro, Garçon imagina meio sem convicção que estará relativamente imune aos possíveis efeitos deletérios de uma candidatura Marina porquanto acredita que o grosso do seu eleitorado é urbano, com mais de 30% em Porto Velho, quase 60% em Candeias e mais de 25% em Alto Paraíso, conforme uma sondagem que tem em mãos.

Já o deputado Miguel Sena está para lá de desconfiado acerca das conseqüências perniciosas que uma candidatura presidencial dessa natureza pode acarretar para seu projeto de reeleição. Tem eleitores em Porto Velho, mas sabe que não vai muito longe se for refugado pelos de Guajará Mirim, Rolim de Moura e Nova Mamoré - basicamente os seus redutos. Por via das dúvidas, na hipótese de que a reforma eleitoral aprove o dispositivo que abre uma “janela” na lei de infidelidade partidária, está considerando seriamente a possibilidade de trocar de partido. Ou seja, caso o anúncio da pré-candidatura de Marina pelo PV termine por se materializar, Sena não vai pagar para ver.

 

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Agitação de Marina Silva eleva as apostas na sua candidatura à Presidência pelo PV

 

1 – MARINA NO PV

Agosto não terminará sem uma resposta da senadora Marina Silva (PT-AC) ao Partido Verde (PV), agremiação que lhe abriu as portas oferecendo-lhe explicitamente a garantia de que, a depender inteiramente da sua vontade, será dela a candidatura da legenda à Presidência da República no ano que vem. Depois de assegurar, na terça-feira (11), que não pretende “prolongar este processo” por respeito ao PT, ao PV e a ela mesma, mais do que insinuando uma manifestação sobre o assunto a qualquer momento, a ex-ministra fez outras declarações que levaram os analistas a concluir que passam dos 90 por cento as probabilidades de o mês terminar com o debate sobre a sucessão presidencial aquecido com mais uma postulação e tanto ao Palácio do Planalto.

Na verdade, apenas o respeito à imponderabilidade impede os observadores políticos de darem como favas contadas o “sim” de Marina ao convite do PV, porquanto todos os seus movimentos e atitudes depois disso têm sido absolutamente convergentes no sentido de uma aceitação. Dentre os mais significativos desses passos, destacam-se os registrados do final da semana passada para cá, quando esteve em Rio Branco (AC) para uma consulta à família e aos companheiros do início de jornada, em Salvador (BA) no começo desta semana para conversas com o governador Jacques Wagner (PT) e com o presidente da BR Distribuidora José Eduardo Dutra, em Brasília (DF) para reunião matinal com o presidente do PT Ricardo Berzoini e, depois, com o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos principais interlocutores da senadora na operação da troca de legenda.

De todos esses encontros a ex-ministra saiu fazendo declarações que, embora não conclusivas, mais fecham do que deixam a questão em aberto. No Acre, por exemplo, disse que os companheiros do PT não precisariam acompanhá-la. Quer dizer, para algum lugar ela admite que vai e, num movimento para lá de diplomático, reconhece e torna público que muitos correligionários há cujo constrangimento os impediriam de seguir-lhes ostensivamente as pegadas. 

2 – CONSULTAS VÁRIAS

Na Bahia, o que se ouviu dos seus interlocutores foi que “será um desfalque muito grande” – numa clara indicação de que, na mais risonha das hipóteses, não se conseguiu demovê-la de, pelo menos, continuar pensando sobre o assunto. Não foi diferente a reunião com Berzoini, que saiu do gabinete da senadora sem manifestar qualquer esperança de mantê-la no partido.

Para os jornalistas que participaram da entrevista de terça-feira, segundo escreveram, ficou claro que ela pretende mesmo disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme relataram, indagada se não tinha medo de perder o mandato de senadora, caso mude para o PV, e o PT exigir a vaga para o partido, foi firme e categórica na resposta: "Quando falo de algo da magnitude do que estou fazendo, não seria o medo da perda do mandato que me faria desistir do que acredito e do que defendo".

Outro indicativo da sua disposição estaria na resposta que ela deu à Dilma Rousseff, pré-candidata a presidente pelo PT: "Fiquei sabendo que ela fez um apelo e disse que me entende. Afinal, ela saiu do PDT para ir para o PT e sabe como é isso." Se para o bom entendedor meia palavra basta, aí há mais do que sentenças inteiras sem fazer questão alguma de que se lhes possam perceber um significado porventura criptografado.

Não bastassem tantos indicativos, a carta aberta encaminhada à ex-ministra pela bancada do PT no Senado, antes de se prestar para a finalidade anunciada – a de fazer um apelo para que permaneça na legenda – tem mais é um tom de despedida. "Desejamos sinceramente que a nossa querida companheira permaneça no Partido dos Trabalhadores, sua casa política, e prossiga nessa trajetória coletiva que já conquistou tanto, mas que tem tanto ainda para conquistar. Mas, qualquer que seja a sua decisão, seu vínculo com o PT jamais se quebrará. Sempre será assim, esteja onde ela estiver. E, esteja onde ela estiver, terá nosso carinho, nossa admiração, nossa história comum", diz a carta.

3 – CHANCES REAIS

Cairá do cavalo quem imaginar que, pelo fato de a notícia ter escalado as manchetes de uma hora para outra, o projeto tenha nascido com a marca da improvisação. Longe disso. O assédio do PV à petista vem dos tempos em que ela começou a enfrentar as primeiras pressões irresistíveis do governo Lula para transigir enquanto titular do Ministério do Meio Ambiente em nome do “espetáculo do crescimento”. Tomou forma de convite para trocar de partido ainda em meio aos embates internos da administração federal no que diz respeito às urgências do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Apontada dentro do governo como responsável pelos atrasos das licenças ambientais para construção das usinas do Madeira e pressionada a alterar um pacote de "arrocho ambiental" imposto a produtores rurais, não bastasse preterida no comando do Plano Amazônia Sustentável em favor do então ministro Mangabeira Unger, preferiu voltar ao Senado. Daí em diante, não teve afagos de Lula e trombou com o PT em temas controversos, como a recente lei de regularização fundiária na Amazônia.

Nesse clima, uma pesquisa encomendada pelo PV deu novo fôlego às negociações internas para uma eventual candidatura à Presidência em 2010. A sondagem mostrou que a ex-ministra teria, a depender dos cenários e dos demais candidatos ao cargo, entre 10% e 14% das intenções de voto. A rejeição ao nome de Marina, na pior hipótese tabulada, ficaria abaixo de 8%, apontou a pesquisa, realizada há 20 dias.

A análise aprofundada mostrou que a candidatura de Marina pelo PV tem "chances reais e competitivas de ganhar eleição". Na estratégia do PV, reforçaria um apelo ambientalista e poderia levar as eleições ao segundo turno. A senadora é identificada como "defensora da natureza", de "questões ambientais de extrema importância no longo prazo", e representaria uma "mudança nas práticas políticas", segundo a análise qualitativa.

A boa imagem de Marina em temas ambientais destoa da opinião dos eleitores em relação aos dois principais candidatos ao Palácio do Planalto. A ministra Dilma Rousseff aparece, segundo a pesquisa, como uma alternativa "reativa" e "desenvolvimentista atrasada". O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é identificado à defesa "elitista da indústria paulista", apontou o levantamento.

As conversas com Marina prosseguem, mas parte dos dirigentes tem pressa, argumentando que não se pode ficar nesse chove-não-molha até a última hora. Na avaliação geral, o início de setembro seria uma boa data para resolver a questão. Pela Lei Eleitoral, Marina teria até 03 de outubro para mudar de partido. Mas os dirigentes do PV já estão preocupados com a reação do PT, aliado histórico dos verdes. Prevêem que os petistas vêm para cima com tudo e estão dispostos a segurar a pressão deixando Marina fora da briga. A ver.

 

 

 

Mande um e-mail para Paulo Queiroz pqbezerra@gmail.com

 

 

Rondônia, 19 de agosto de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

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